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Na Estante: “Isto Acaba Aqui” e “Verity”, de Colleen Hoover

30 de Novembro, 2019
Isto Acaba Aqui & Verity, de Colleen Hoover

imenso tempo que não escrevo sobre livros sem ter uma agenda propositada, ou seja, poder escrever de espírito livre e sem pensar em trabalho ou em opiniões exteriores. Quando pensei em voltar a escrever sobre livros aqui no blogue, obviamente que tinha de (re)começar em grande. E só o podia fazer com os primeiros livros que li de Colleen Hoover, Isto Acaba Aqui e Verity*.

Como a maioria dos apaixonados por livros em Portugal, conheci Colleen Hoover por intermédio da Helena Magalhães e do seu (nosso!) Book Gang. A verdade é que estive sempre um tanto relutante em começar a ler a autora porque, e apesar de gostar de livros no género new adult e a roçar o chick lit, sempre tive a sensação de que era uma autora demasiado light para mim. E ainda que não haja problema nenhum nisso, tinha mais que ver com os meus gostos pessoais do que propriamente com a escritora, cuja obra não conhecia. É daquelas primeiras impressões que só demonstram desconhecimento e são um tanto absurdas, sabem? 

Numa promoção que houve na Bertrand há uns meses, decidi arriscar e comprei um dos livros da autora que se encontravam em promoção. Não me decidi pelas sugestões que a Helena deixava e simplesmente entreguei-me ao destino. Assim, o meu primeiro livro de Colleen Hoover foi Isto Acaba Aqui e… que livro do caraças. Mas já lá vamos. Escusado será dizer que fiquei vidrada, apaixonada pela forma como a Colleen escrevia. Como todos os participantes do Book Gang, ali estava eu, absolutamente rendida às suas palavras. 

O mês de novembro veio com a escolha propositada do mais recente livro dela, Verity. Era suposto ser publicado com a sua vinda a Portugal, o que acabou por não acontecer devido a problemas familiares da autora. Juntei-me à maré de seguidores e trouxe o livro para casa, disposta a começá-lo o quanto antes. E quando o acabei… Parecia ser uma escritora completamente diferente. E nem sequer digo isto num sentido pejorativo, muito pelo contrário. 

Isto Acaba Aqui: uma reflexão poderosa sobre violência doméstica

Sou cada vez mais adepta de entrar em certos romances sem saber realmente sobre o que falam. Os primeiros capítulos dão-nos a conhecer uma história de amor que parece ser um verdadeiro conto de fadas. Temos Lily, uma jovem de 25 anos que se acaba de mudar para Boston e que conhece Ryle, um neurocirurgião com um passado complicado, mas de uma inteligência – e beleza, ahem – de sonhos. Esse passado complicado deixa marcas e cicatrizes, evidencia-se nos momentos mais inesperados e confundem aquilo que era suposto ser um amor para a vida toda. 

Só pelo subtítulo, vocês conseguem ver onde está o spoiler e a outra faceta de Ryle. Contudo, existe algo mais para lá do seu historial de violência; algo que, até agora, penso ser único na literatura romântica e que foi muito bem concebido por Colleen Hoover. Há uma verdadeira reflexão sobre os vários homens ou mulheres que cometem violência doméstica, sobre a consciência que têm disso mesmo e aquilo que estão dispostos a fazer para mudar o seu presente. A escritora coloca-nos uma pergunta a partir da personagem masculina: “Todas as pessoas que cometem violência doméstica são iguais e merecem o mesmo tratamento?”

Tenham calma se isto vos causar alguma raiva. O final pode surpreender-vos tal como me surpreendeu a mim, eu que sou o tipo de pessoa que abomina enredos onde acabam mais por culpabilizar as vítimas do que os agressores. É isto que acaba por ser verdadeiramente surpreendente com a escrita de Colleen – a forma como consegue pegar em temas pesados, refletindo neles e oferecendo mais do que uma possibilidade para uma história aparentemente leve e romântica. 

Isto Acaba Aqui & Verity, de Colleen Hoover
Verity, ou o livro com o melhor final de todos os tempos

Comecei Verity à espera de tudo. Já completamente rendida à escrita de Colleen Hoover – sim, só com um livro dela lido, sentia segurança em dizê-lo. Novamente dei por mim agarrada a uma forma de escrever completamente cativante e singular. O que surpreendeu com este livro, no entanto, foi o facto de entrarmos num género literário completamente diferente – um thriller, com romance incluído, mas um thriller, ainda assim.

Alguns escritores tendem a divergir para outros géneros, talvez numa tentativa de saírem da sua zona de conforto e explorarem até onde são capazes de ir. Um dos exemplos mais recentes na nossa literatura foi João Tordo, escritor de romances que se atreveu a lançar um policial/thriller, A Noite em que o Verão Acabou. E de todas as opiniões que tenho lido, correu-lhe muito bem. O mesmo não se pode dizer, regra geral, de outros autores que tentam fazer o mesmo. Colleen Hoover podia ter feito parte dessa percentagem de autores, mas não só foi um sucesso, como muitos leitores consideraram Verity uma das melhores obras de suspense que já tinham lido. 

Quem já me segue há algum tempo, sabe que nao sou a maior fã do género porque, bem, sou uma caguinchas e fico sem dormir com muito pouco. E esta história é, sem dúvida, das mais perturbadoras que já li. É desconfortável, mexe connosco e acompanha-nos durante dias depois de a terminarmos. Mas, ao contrário de outros livros, não consegui parar de ler; não sei se foi a inclusão do romance, algo que sempre apreciei em literatura, mas consegui, de facto, contornar o suspense e ficar viciada. 

O enredo gira em torno de uma escritora, Lowen, que é contratada por uma editora para ser a ghost writer dos últimos livros de uma saga escrita por Verity Crawford, autora bestseller que ficou incapacitada após um acidente. Para poder entrar na cabeça de Verity e estudar as anotações e ideias reunidas ao longo de anos de trabalho, Lowen aceita o convite de Jeremy Crawford, marido da autora, e muda-se temporariamente para a casa deles. Aí, encontra um manuscrito macabro que não era suposto ser lido por ninguém e que traz confissões arrepiantes sobre o dia-a-dia da família Crawford.

Não quero dizer mais, se não dar-vos a crer que os últimos dois capítulos foram dos mais intensos e brutais que já li. Foi plot twist atrás de plot twist. Acreditem que tudo o que têm ouvido falar de Colleen não faz justiça à escrita dela. Já se tornou numa das minhas favoritas e, bem… Tenho que comprar os outros livros dela. 

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  • Reply
    Andreia Morais
    30 de Novembro, 2019 at 21:12

    A minha vontade de me aventurar nesta autora já é imensa – muito por culpa da Helena Magalhães -, mas a tua publicação incrível [que saudades de te neste registo] aumentou-a ainda mais. Eu bem disse que ia tentar ser forte e não comprar mais livros nos próximos tempos, mas não sei se vou aguentar ahahah

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