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The Bibliophile Club | “Levaram Annie Thorne”, de C. J. Tudor

25 de Abril, 2019

Este mês, por lapso meu, acabei por não anunciar no blogue o tema de abril do nosso clube literário, The Bibliophile Clubum projeto que comecei no início de 2019 em parceria com a Sofia, do A Sofia World, e a Lyne, do Imperium by Lyne. Abril trouxe-nos thrillers e mistérios, um género que está longe de ser a minha zona de conforto, uma que sempre esteve entregue aos mundos fantasiados e universos paralelos. 

Comecei este clube com a noção de que iria experimentar histórias capazes de expandir os meus gostos, fugindo àquilo a que sempre estive habituada. Gosto de policiais, mas não gosto daquela sensação de ansiedade que temos perto do final de qualquer thriller, pois, e apesar de apreciar ser surpreendida, não gosto de me sentir ansiosa, assustada com aquilo que estou a ler. Nem sequer sei se isto fará sentido para vocês, principalmente se forem apreciadores do género, mas isso sempre foi um ponto forte para me afastar deste tipo de livros. Com o tema escolhido por nós para o clube, indo ao encontro de “abril, mistérios mil”, sabia que teria de contornar isso. 
E até gostei do resultado. 

Agora, dizer que sou masoquista é pouco. 
Uma pessoa já não liga a thrillers considerados normais, e acaba por escolher uma autora que é conhecida como “o Stephen King feminino”. Eu nunca li Stephen King precisamente pela sua relação com o horror, um género que é completamente abolido da minha vida, seja em séries, filmes ou livros. Todavia, na altura em que anunciámos o tema do mês, a C. J. Tudor lançava em Portugal “Levaram Annie Thorne”*, e havia tanto burburinho em torno do seu primeiro livro, “O Homem de Giz”, de tal modo que fiquei intrigada. 
Também não ajudou o facto de escrever sobre ela, ler as sinopses dos seus livros e estar tão embrenhada no seu trabalho, principalmente na altura em que veio a Portugal falar sobre a sua mais recente publicação.

Joe Thorne é a nossa personagem principal, o anti-herói complicado, imperfeito, com um passado negro e, paralelamente a isto tudo, o irmão de Annie Thorne. 25 anos após o desaparecimento da sua irmã mais nova, Joe retorna a Arnhill, a sua terra natal, para desvendar o mistério que assolou a sua vida quando era apenas um adolescente. A trama da história começa precisamente com um e-mail que ele recebe, onde apenas diz “Sei o que aconteceu à sua irmã. Está a acontecer de novo”. Um mistério que desde o início está associado a elementos um tanto sobrenaturais, principalmente quando se descobre que Annie desapareceu… Mas voltou. 
Voltou e já não era a mesma pessoa, a mesma criança que Joe havia conhecido e amado. 
Descobri rapidamente que me ajudou imenso não saber mais do que isto quando entrei na história. Porque, na verdade, existem diversas personagens no enredo e uma backstory interessante relacionada com este mistério, que vamos descobrindo à medida que acompanhamos o dia-a-dia de Joe e as suas memórias ao que aconteceu com Annie. Por isso mesmo, e porque se trata de um thriller, não quero dizer muito mais do que isto. Espicaçar a curiosidade do leitor é um traço muito sedutor da escrita de C. J. Tudor, pelo que não precisamos mais do que esta base para mergulhar na história. 
No final, não posso dizer que tenha saído tão apavorada deste thriller como inicialmente achava. Aliás, dei por mim cada vez mais viciada no que estava a acontecer, um misto de entusiasmo e de algum nojo por continuarem a haver certos elementos macabros que, bem, não são, de todo, para mim. Fiquei surpreendida pela escrita da autora, talvez o que me fez prender desde o início ao livro e aquilo que mais me cativou em “Levaram Annie Thorne”
No entanto, e digo isto sem ter forma de comparação porque não li Stephen King, outras obras de horror ou até mesmo o primeiro livro dela, não achei o final assim tão aterrorizador e horripilante. Também não creio que seja esse o seu objetivo, pois fiquei com a ideia de que, apesar de se basear em alguns livros como  “Samitério de Animais”, continua a querer fazer algo único e, bem, dela
Concluindo, não sei se voltaria a ler um livro dela – mas não por a considerar má escritora, atenção. Se não gosto de livros creepy, não vou insistir. Ainda assim, fiquei com o bichinho para ler mais thrillers, talvez a puxar mais para o policial – o que acaba por ser o objetivo do nosso clube literário, não é? Expandir gostos e dar-nos a vontade de ler algo diferente, de vez em quando. 

Já leram alguma coisa de C. J. Tudor? Qual é a vossa relação com thrillers, mistérios, horror, etc.?

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Esta publicação está inserida dentro do clube literário The Bibliophile Club, em parceria com Imperium by Lyne e A Sofia WorldPodes encontrar o nosso grupo no Facebook aqui se quiseres participar em discussões sobre todas as nossas leituras.


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  • Reply
    Patrícia Lobo
    25 de Abril, 2019 at 14:29

    Quando vi a sinopse deste livro fiquei com imensa vontade de o ler, porém ainda não o fiz. Espero ler em breve.

    Quando a não gostar "de me sentir ansiosa, assustada com aquilo que estou a ler", compreendo o que dizes, mas sinto exactamente o contrário. Eu gosto desse sentimento, mas apenas a ler livros.

    Bom feriado *

    • Reply
      Sónia Rodrigues Pinto
      26 de Abril, 2019 at 11:21

      Nem a ler livros, muito menos filmes. Não sei se é também por causa das minhas crises de ansiedade, mas como se assemelha muito a essa sensação, acabo por não gostar muito. É contraditório, porque gosto de policiais e aprecio uma boa história de crime. Mas pronto 🙂

  • Reply
    Andreia Morais
    25 de Abril, 2019 at 20:28

    Tenho adorado os vossos temas para o The Bibliophile Club, mas confesso que este foi o que mais me entusiasmou, porque é um género que adoro, mas que, estupidamente, invisto pouco.
    Tenho imensa curiosidade em relação a C. J. Tudor e, nem de propósito, foi nos livros dela que aproveitei a promoção do Dia Mundial do Livro 🙂
    Mal posso esperar para me aventurar nesta obra. E a tua opinião deixou-me com ainda mais vontade!

    • Reply
      Sónia Rodrigues Pinto
      26 de Abril, 2019 at 11:22

      Eu não li "O Homem de Giz". Honestamente, pelas mesmas razões que mencionei acima, não fiquei com vontade. É para apreciadores do macabro, do estranho e do ligeiramente assustador. Apesar de ter um estilo muito único, continua a ser demasiado para aquilo que aprecio numa obra. Espero, no entanto, que gostes 🙂

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