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Eleanor Oliphant is Completely Fine | Gail Honeyman

16 de Janeiro, 2019

A segunda leitura de 2019 já andava aqui a rondar a minha wishlist há imenso tempo. Eleanor Oliphant is Completely Fine (2017), de Gail Honeyman, é um romance psicológico que mexe connosco do princípio ao fim. Mesmo que a vossa vida nunca tenha tocado na imensidão de problemas que caracterizam o quotidiano da personagem principal, é impossível ficar indiferente à forma cativante e cheia de profundidade com que Honeyman escreve. 

Eleanor Oliphant simboliza o verdadeiro significado da palavra “introversão”. Mas existe uma panóplia de outras palavras que também poderiam estar associadas à sua pessoa, como “solidão” ou “depressão”. Acima de tudo, todavia, Eleanor peca pela ausência de competências sociais. Não fala com praticamente ninguém, não tem amigos e a sua rotina diária é baseada em vodka, pizza congelada e as ocasionais chamadas telefónicas com a sua mãe. Nunca houve problema nenhum com a forma como leva a sua vida, preferindo estes elementos certos a ter que interagir com um bando de gente iletrada, verdadeiramente absurda e ligeiramente inferior àquilo que Eleanor, na verdade, é. 
Raymond, o responsável de informática da empresa onde Eleanor trabalha, muda tudo. Um dia, os dois acabam por salvar um idoso, Sammy, que caiu desamparado no meio da estrada. Não só este pequeno evento mudou completamente a sua rotina, como Eleanor começa, lentamente, a ter que interagir com várias pessoas e a perceber que, na verdade, gosta de conviver, socializar e ter pessoas que se preocupam com ela. Encontra assim em Raymond o início de uma descoberta que ronda os traumas do passado, a profunda depressão em que se encontra e a melhor forma de saber lidar com tudo. 
Este pequeno resumo é, na realidade, apenas a ponta do iceberg da variedade de problemas que Honeyman transporta para este romance. As razões pelas quais Eleanor vive isolada de toda a gente são lentamente desvendadas ao longo do livro e são muito mais do que uma pessoa com aparentes complexos de superioridade. Existe uma justificação para tudo, pequenas pistas que nos são dadas e que proporcionam um mistério viciante à história.

“Eyelids are really just flesh curtains. Your eyes are always ‘on’, always looking; when you close them, you’re watching the thin, veined skin of your inner eyelid rather than staring out at the world. It’s not a comforting thought. In fact, if I thought about it for long enough, I’d probably want to pluck out my own eyes, to stop looking, to stop seeing all the time. The things I’ve seen cannot be unseen. The things I’ve done cannot be undone.” (uma das frases que eu mais gostei do livro ❤)

Paralelamente a isto, Eleanor aprende a viver consigo mesma e a gostar de si. A presença de Raymond e Sammy na sua vida são pequenos lembretes de que a vida é mais do que vodka, solidão e desespero total. Estas duas personagens, mas particularmente Raymond, funcionam como um vínculo que une Eleanor à noção de que somos absolutamente humanos, que desesperamos pelo contacto dos outros mas que, se o permitirmos, haverá sempre alguém para nos apoiar, ajudar ou simplesmente ouvir, se necessário.

Em conclusão, fiquei apaixonada com este livro e percebo porque é que foi considerado um dos melhores livros de 2017. A forma como aborda a depressão e o trauma, sem perder o humor e a peculiaridade característicos de Eleanor, é absolutamente fascinante. Recomendo para quem aprecia um bom livro de ficção que não tem, necessariamente, um interesse amoroso, mas uma grande construção psicológica e pessoal. Não é um livro com grande acção ou um grande desenrolar narrativo, mas também não precisa de o ser; é uma história sobre a complexidade do ser humano com todas as suas facetas. E por isso, para mim, já é genial.

Eleanor Oliphant is Completely Fine está disponível em inglês na Book Depository* e em português, com o título A Educação de Eleanor, na Wook.

* O By the Library é um blogue afiliado da Wook e da Book Depository; ao adquirirem estes livros através dos links fornecidos, estão a contribuir com uma pequena percentagem para mim, potenciando o crescimento do nosso cantinho. Por mais leituras! ❤

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  • Reply
    Vanessa 'The Bookish Deer'
    16 de Janeiro, 2019 at 19:13

    Tenho cá o livro desde que saiu a edição portuguesa, mas ainda não o li. Só tenho ouvido coisas boas sobre ele, e a tua opinião ainda me fez ter mais vontade de pegar nele! 😀
    Beijinhos e boas leituras ♡

  • Reply
    Andreia Morais
    16 de Janeiro, 2019 at 22:27

    Quero muito ler este livro, até porque se baseia em temáticas que me despertam particular interesse. Vamos lá ver se o consigo fazer este ano.
    Excelente partilha, como sempre. Por mais que me repita, é mesmo um gosto enorme ter contacto com a forma como te expressas em relação às tuas leituras *-*

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