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“A arte subtil de saber dizer que se f*da” | Mark Manson

7 de Janeiro, 2019

Acabei a primeira leitura do ano. Paralelamente, acabei também a primeira leitura para o The Bibliophile Club, o nosso clube literário de 2019 sobre o qual podem saber tudo aqui. “A arte subtil de saber dizer que se f*da” esteve nas bocas do mundo no ano passado, Portugal incluído. 

Havia várias razões para estar reticente em relação a esta obra. Havia reviews de pessoas cuja opinião estimava bastante que afirmavam ter detestado o livro. Não sou propriamente a maior fã de livros de não-ficção (é mais preguiça, algo que quis parar e onde o clube me ajudou imenso). E não sou, definitivamente, fã de livros de auto-ajuda que expõe a solução para todos os nossos problemas. “Quer perder peso? Encontre no seu interior a força necessária e o unicórnio libertador que há em si”. Por essas razões e mais algumas, fui de pé atrás. Resultado? Este livro tornou-se num dos meus favoritos de 2019 – já, sim, eu sei. 

Já li opiniões de pessoas que detestaram o livro por ser superficial e um monte de tretas que não têm plausibilidade e conteúdo que prove o que se está a dizer. Embora consiga entender o ponto de vista dessas pessoas, não consigo deixar de ver a escrita de Manson como uma das mais intuitivas e realistas do contemporâneo. Talvez seja demasiado estar a afirmá-lo desta forma, mas o facto de os seus conselhos se basearem única e exclusivamente na sua experiência pessoal não torna o livro numa porcaria – mas numa opinião honesta e absolutamente humana. 
“A arte subtil de saber dizer que se f*da”* é um livro de auto-ajuda imensamente provocador. Senti que estava a ser julgada o tempo todo, não de uma forma humilhante, mas descontraída e educativa. Quase imagino o Manson sentado numa mesa, bebendo o seu chá, apontando o dedo a todos nós, leitores, e a dizer “és realmente um monte de merda”. Todavia, antes de ficarmos todos ofendidos e começarmos a esbracejar que nem loucos, ele continua e diz-nos “mas todos nós somos montes de merda; vou agora explicar-te porque é que precisas de aceitar ser um monte de merda”
Em 9 capítulos muito bem organizados, o autor aponta os vários defeitos da sociedade contemporânea e mostra como devemos aceitá-los. A sua opinião é de que não devemos tentar apagá-los, como muitos influenciadores e autores de livros de auto-ajuda tentam fazer, mas antes aprender a viver com eles. Imediatamente aí sentimos aquilo que distingue este bestseller de todos os outros. A arte de saber dizer que se f*da é mesmo essa, e ele não demora 200 páginas a justificar o seu título: é perceber quem somos, aquilo que são os nossos erros, a noção de que não somos perfeitos, e simplesmente tentar melhorá-los sem levar à perfeição, mas sim à aceitação. 
Não é um livro para toda a gente. As asneiras e o calão são muitas, há algumas passagens de humor negro e, acima de tudo, há uma despreocupação se nós, deste lado, vamos ficar ofendidos ou não com o que foi escrito. São várias as passagens que me fazem sentir pequenina, como se tivesse sido apanhada na curva e me estivessem a apontar todos os defeitos em frente de uma audiência. Mas a honestidade, o sarcasmo e a precisão com que fala dos males da humanidade foram precisamente aquilo que eu precisava para abraçar o novo ano. 
Contudo, e é importante reforçá-lo, senti que este livro era muito mais do que uma obra de auto-ajuda. As reflexões quase sociológicas e antropológicas da forma como que vivemos hoje são on point, muitas vezes utilizando exemplos de escritores e artistas plásticos para fazer analogias brilhantes entre aquilo que somos e aquilo que deveríamos ser. Então, aquilo que nos primeiros capítulos parece ser uma leitura leve e quase humorística do dia-a-dia, acaba por ser igualmente uma reflexão poderosa e profunda de assuntos não tão levianos quanto isso, como a morte.

Não é assim tão subtil dizer-se que se f*da, mas podemos sempre tentar

Como esta leitura está inserida dentro do The Bibliophile Club, não posso deixar de reflectir naquilo que este livro significou para mim. A verdade é que certas obras só nos vão chegar cá dentro se tivermos o coração receptivo a elas (ou a mente). Para mim, ler o sarcasmo de Manson e a noção de que certas coisas, certos defeitos, precisam de levar um travão em cima e ser modificados, foi precisamente o que eu precisava para começar 2019. 
Dizer que se f*da mais vezes. Assumir que não sou perfeita e concordar com isso. Parar de tentar chegar a um perfeccionismo bruto, aceitar que a minha auto-estima não é a melhor e que está na altura de parar de me comparar aos outros com a ideia de me melhorar a mim mesma. Não saí deste livro com a mente lavada e pronta para encarar a vida como quem encara um penhasco na África do Sul, mas apontarem-nos o dedo – nem que seja metaforicamente e a nível literário – fez-me mesmo muito bem. É precisamente por isso que considero este livro bom e importante. 
Já leram “A arte subtil de saber dizer que se f*da”? O que acharam? 
Esta publicação está inserida dentro do clube literário The Bibliophile Club, em parceria com Imperium by Lyne e A Sofia World
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  • Reply
    Shizuka Gomes
    7 de Janeiro, 2019 at 15:28

    Tive para comprar o livro quando saiu a versão original mas acabei por comprar outro. Depois quando saiu a versão portuguesa também tive quase quase, mas acabei por escolher outro também. Ainda o tenho na lista para ler, mas enquanto não me der aquele click que quero ler mesmo não o vou comprar (se bem que a tua critica está a inclinar-me outra vez para o "comprar" :P)

    • Reply
      Sónia Rodrigues Pinto
      9 de Janeiro, 2019 at 9:57

      Obviamente que para mim vale muito a pena! Espero que o chegues a adquirir. É estimulante, hilariante e importante (nossa, tanta rima lol). 🙂

  • Reply
    Andreia Morais
    7 de Janeiro, 2019 at 21:48

    É um livro que me desperta imensa curiosidade. E já me conquistou pelo facto de nos levar à aceitação dos nossos erros e de tudo aquilo que são considerados comportamentos menos favoráveis. Porque ninguém é perfeito e venderem-nos um caminho em que temos que o ser, em que temos que, quase, esconder aquilo que somos (porque foge do padrão) é só estúpido. Claro que há comportamentos que devemos combater e/ou melhorar, mas ocultar as nossas falhas não nos faz avançar, muito pelo contrário.
    Acabei por não comprar este livro para o primeiro tema do desafio, mas certamente que o irei adquirir ainda este ano.
    Fico sempre rendida à forma como analisas os livros que lês *-*

    • Reply
      Andreia Morais
      7 de Janeiro, 2019 at 21:51

      r: Acredito que é tudo uma questão de momento, minha querida. E de deixar fluir sem pressões. Honestamente, e por mais que adore o meu blogue (que adoro), não permito que este projeto assuma as rédeas da minha vida, mas tenho noção que é uma das minhas prioridades e, por isso, faço por aproveitar cada momento para cuidar dele. O que não significa que quem não publique diariamente não o faça.
      És sempre um amor, muito obrigada <3

  • Reply
    Neuza C
    8 de Janeiro, 2019 at 13:31

    Gostei muito da tua opinião.
    É um livro que tenho muita vontade de ler desde que o vi nas livrarias. E essa curiosidade passa, sem dúvida, pelo título do mesmo. Porque algo que, na minha opinião, todos nós já sentimos, foi vontade de dizer que se F*da para tudo. E por isso mesmo, gostava de saber como é que o autor aborda esta questão ao longo do livro.

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